Sinergia entre UPS, Gerador e Equipamentos

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Instalação Elétrica como um Objetivo

É importante entender que a instalação elétrica não é só um conjunto de quadros cabos e disjuntores. Ela existe para um propósito simples que é trazer energia a cargas elétricas.

E para isso, precisa de uma infraestrutura dedicada com especificidades que variam de acordo com o cada tipos de carga. Já comentamos sobre classificação de cargas críticas aqui.

Vamos agora entender que essa instalação vai naturalmente gerar necessidades de otimização.

Projeto e Redundância

Redundância é a capacidade de suportar falhas.

Um bom projeto, considera que instalações estão sujeitas a falhas, mas possui estratégias para que mesmo quando uma falha ocorra, os prejuízos sejam mitigados ou eliminados.

As redundâncias são consideradas sempre horizontalmente, isto é: um UPS pode ser redundante de um outro UPS, mas não se considera que um UPS é redundante de um Gerador por exemplo.

Assim, segue algumas estratégias de redundância:

Para transformadores

• Evitar transformadores únicos

• Substituir por mais transformadores em paralelo com potência reduzida

• Utilizar estratégias em N+1

Apesar de não ser uma redundância automática, isso permite operações e manobras rápidas para reestabelecimento da energia. Nota-se que normalmente a potência nominal de projeto é sobredimensionada. Ao preparar redundâncias, pode-se aliviar esse sobredimensionamento!

Para Geradores

• Evitar geradores únicos

• Substituir por mais geradores em paralelo-redundante com potência reduzida

• Utilizar estratégias em N+1

• Integrar sistemas de sincronismo para múltiplos geradores e rede

• Possuir QTAs com Bypass Manual

A principal lógica de redundância de um gerador ocorre nos QTAs (ATS). Utilizar estruturas robustas como QDGs em CCMs representa um ganho de confiabilidade elevado.

Para UPS

• Evitar UPSs únicos

• Evitar UPSs standalone (monolítico) ou modular centralizado

• Utilizar UPSs modulares descentralizads

• Utilizar estratégias N+1

• Utilizar bancos de bateria redundantes

• Utilizar UPSs com barramentos para baterias independentes

UPSs e suas baterias são os sistemas mais sujeitos a falhas de todos os anteriores, é onde se merece investir maior atenção. É muito comum encontrar sistemas UPS com falsa redundância (com potência “redundante”, mas sem capacidade de tolerar falha!).

Quadros de Entrada, Saída e Bypass para UPS devem permitir manobras manuais, e transferências sem interrupção, mesmo caso o UPS seja descomissionado completamente. Não devem ser utilizadas chaves rotativas, e devem ser evitadas chaves telecomandadas que não permitam manobra local.

Para Quadros

• Identificar se permitem parada para manutenção ou se nunca podem ser desligados!

• Utilizar estratégias adequadas de circuito duplo quando se justificar

Atenção para não criar complexidade desnecessária, cara e de difícil manutenção!

Para Estabilizadores

• 99% dos casos: não usar!

Estabilizador é tecnologia obsoleta e tem utilidade apenas para casos MUITO específicos, mas não relacionados a CONFIABILIDADE energética

Para STSs

• 99% dos casos: Não usar!

STS é uma tecnologia utilizada para contornar problemas de UPSs de baixa qualidade. A melhor solução é projetar o UPS corretamente. UPSs adequados (em N+1) terão confiabilidade superior a sistemas com STS (mesmo sendo em 2N)!

A presença de STSs são indicativos para erros de projeto.

Integração

Quando falamos de integração, estamos falando também de monitoramento e automação.

O primeiro ponto é monitorar os pontos críticos, em ordem de prioridade:

1) UPSs

2) Baterias para UPS

3) Geradores

4) QTAs dos Geradores e Rede (ou QGBT)

5) Baterias para Geradores

6) Transformadores críticos [Opcional]

7) Quadros críticos [Opcional]

8) Transformadores comuns [Opcional]

9) Quadros comuns [Opcional]

Em seguida, realizar automações, como por exemplo:

Automações entre UPS e Gerador

• Sinal “Gerador está Ligado” para UPS:

o Bloqueio de recarga de bateria

o Bloqueio de by-pass (a depender da qualidade de energia do gerador)

• Sinal “UPS está sem redundância” para Gerador:

o Partir o Gerador (sem transferir)

Automações entre UPS com quadros de UPS:

• Sinal “Bypass externo fechado” para UPS

o Transferência forçada do UPS para by-pass estático

• Sinal “Seccionadora Saída Aberto” para UPS (para sistemas paralelos)

o Desconecta o gabinete UPS do paralelismo

Automações entre UPS e Transformadores (evitar inrush):

• Automação para partida de transformadores de saída do UPS de forma não simultânea.

Automações entre UPS e cargas de TI:

• Sinal “Bateria do UPS chegando ao fim!”

o Cargas iniciam processo de desligamento programado

Sistemas UPSs, por conceito, não devem usar toda a capacidade de sua bateria, mas caso ocorra, é melhor que os desligamentos sejam feitos controladamente invés de que aconteça de forma abrupta.

Automações entre UPS e Quadros por nível de prioridade

• Sinal “Nível restante de bateria”:

o Quadros menos prioritários desconectando primeiro para estender a autonomia aos quadros mais prioritários.

Autonomia

A autonomia deve estar nos Geradores e não no UPS!

As baterias do UPS não devem ser dimensionadas com o objetivo de armazenar energia para longos períodos. Vale mais a pena investir em gerador confiável! Fica mais barato, ocupa menos espaço e é mais simples!

Conclusão

Todas as Sinergias de otimizações são opcionais. Mas não as realizar traz custos técnicos e financeiros.

As otimizações devem ser todas justificadas, seja para sua implementação, mas também para sua ausência! Se a instalação não está otimizada e sem justificativa, isso é um erro grosseiro.

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Victor Souza

Especialista em Energia Crítica

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